Posts tagged ‘editora leitura’

Flamengo: uma nação em vermelho e preto

Os mais de 30 milhões de torcedores do Flamengo espalhados por todo o país formam uma verdadeira nação. Uma nação nada homogênea, assim como o Brasil, composta por pessoas de todos os gêneros, raças, classes sociais, idades. Enfim, não há restrições a quem quiser torcer pelo rubro-negro.

Em Meu Maior Prazer, os jornalistas Carlos Eduardo Mansur e Luciano Ribeiro mostram as mais diversas facetas dessa paixão, que formam, “o mais perfeito extrato da sociedade brasileira”. Na obra, portanto, trazem entrevistas com flamenguistas de diferentes origens e histórias, além, é claro, de ídolos do passado e dos tempos atuais, como Zico, Zagallo, Andrade, Renato Gaúcho, Petkovic, Adriano e muitos outros.

Na entrevista abaixo, Carlos Eduardo Mansur e Luciano Ribeiro falam um pouco sobre o que significa torcer para o Flamengo, suas principais memórias e surpresas do processo de elaboração do livro. Aproveite e confira como será a capa de Meu Maior Prazer, em breve nas livrarias.

O que faz do Flamengo um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor rubro-negro deve ter orgulho de seu clube?

Acima de tudo, o que faz o Flamengo diferente é sua torcida. Não apenas pelo tamanho, por ser a maior do país, mas pelo envolvimento com o clube. A torcida ajudou a construir o perfil de um clube que desperta paixões extremadas, e acima de tudo o perfil de um clube que, como nenhum outro, é uma expressão fiel da sociedade brasileira e carioca. É impossível falar em Rio de Janeiro sem falar em Flamengo, é impossível falar em futebol brasileiro sem falar no Flamengo. Além disso, tem uma composição única entre os clubes brasileiros: é maioria em todas as classes sociais da sociedade carioca, dos mais abastados aos mais pobres. Além disso, é o único clube verdadeiramente nacional, com a maior parte de sua torcida situada fora do Rio de Janeiro. Além disso, somando-se as torcidas dos outros três grandes clubes cariocas, o número não alcança o de torcedores do Flamengo.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Flamengo.

A paixão por um clube está profundamente ligada à vida e à identidade de cada brasileiro. Sendo assim, cada torcedor vive de forma particular o amor por um clube. E se este clube é o Flamengo, dono da maior torcida do país, dono de um universo de seguidores com perfis tão distintos, quase um extrato da sociedade brasileira, é natural que cada torcedor, seja pelo local onde vive, seja pela geração a que pertence, seja pelas experiências pessoais de vida que teve, encontre razões para eleger um jogo ou um momento da vida do clube. Claro que a vitória sobre o Liverpool, por 3 a 0, que deu ao Flamengo o título mundial de 1981, representa o ápice da história rubro-negra e o momento de apogeu da geração comandada por Zico. Mas certamente quem viveu a década de 40 irá lembrar para sempre o gol de Valido, no tricampeonato de 44; quem estava no Maracanã nos anos 50 irá recordar a soberba atuação de Dida no tri de 55; há os que até hoje fecham os olhos e veem a cabeçada de Rondinelli em 1978, na conquista que inaugurou a sequência de títulos do Flamengo de Zico; assim como os mais novos dificilmente deixarão de lembrar o gol de falta de Petkovic no tri de 2001. Enfim, o Flamengo pertence à torcida, a uma torcida heterogênea como o Brasil.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

Em alguns clubes, esta pergunta gera discussões. No Flamengo, não. Impossível falar em Flamengo sem falar em Zico, destacadamente o maior ídolo. Mais do que isso, um verdadeiro símbolo do clube, um sinônimo de Flamengo. No entanto, pode-se dizer que uma das razões do impressionante fenômeno de popularidade que o clube representa resulta do fato de ter tido, ao longo de toda a sua história, boa parte dos principais ídolos do futebol brasileiro. Entre os anos 30 e 40, teve Leônidas da Silva e Domingos da Guia, depois surgiu Zizinho que, para algumas gerações, foi melhor do que Pelé. Mais tarde viriam Evaristo, Zagallo e Dida, nos anos 50. No início dos anos 70 começa a surgir a geração Zico que, no fim da década e ao longo dos anos 80, protagoniza a maior sequência de conquistas da história do Flamengo, com jogadores como Leandro, Andrade, Adílio e Júnior. Ainda nesta década, o brilham com a camisa rubro-negra nomes como Bebeto, Renato Gaúcho. Em 1995 o clube contrata Romário e, em 2001, ganha um tricampeonato com jogadores do porte de Edílson, Gamarra e Petkovic.

No processo de elaboração dos livros, houve alguma informação sobre o clube que os surpreendeu?

Deparamos com várias, especialmente durante as entrevistas para a elaboração do livro-memória “Meu maior prazer”. Por exemplo, na entrevista com o radialista e ex-técnico do Flamengo Washington Rodrigues, descobrimos que uma crise entre Romário e a torcida foi resolvida, minutos antes de um jogo, com uma ida do atacante a um bar nas imediações do Maracanã onde torcedores se concentravam. Convenhamos, é algo inimaginável. Nos surpreendeu a forma emocionada como Zagallo, um homem que ganhou quatro Copas do Mundo, falou sobre a conquista do tricampeonato de 2001 pelo Flamengo. Ele chorou e não conseguiu falar. A trajetória de vida de jogadores como Ronaldo Angelim é algo que chama a atenção, também. Outro momento revelador foi a conversa com Petkovic. Certamente, a torcida sequer imagina que o herói do tri de 2001 quase não jogou, pensou em não entrar em campo por causa de problemas salariais no clube. Outra surpresa foi o episódio revelado por Renato Gaúcho sobre a intimidade do time campeão brasileiro de 1987, formado quase que totalmente por estrelas. Numa conversa com o técnico Carlinhos, ele disse claramente que se recusava a cumprir a determinação do treinador de ajudar na marcação aos laterais adversários. Para encerrar a discussão, coube a Zico, a estrela maior, dizer que ele próprio se prontificava a fazer tal marcação. Nas entrevistas com os campeões mundiais de 1981, histórias incríveis sobre os bastidores do melhor time que o Flamengo já teve vieram à tona. Acima de tudo, nos chamou atenção como o Flamengo marcou profundamente a vida de todos estes personagens.

Qual o episódio mais curioso da história do Flamengo?

Numa análise bem ampla, o que mais impressionou foi ver como o Flamengo, desde os seus primeiros dias até hoje, num mundo em que o mercado do futebol mobiliza milhões, sempre conviveu com a crise financeira, com recursos aparentemente escassos. E nunca deixou de vencer, de crescer. No início não tinha campo para treinar. Mais tarde, campeões dos anos 50 nos revelaram que havia atrasos salariais. Atualmente, tais problemas tornaram-se recorrentes. Enfim, a força do clube nunca permitiu que o Flamengo se tornasse menor.

Para terminar, o que acham da dobradinha entre futebol e literatura?

Um futebol tão rico dentro de campo como o brasileiro, merece ter uma produção literária à altura, produzindo memória, registros desta história para futuras gerações. E este é o grande mérito da iniciativa da Editora Leitura.

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novembro 4, 2009 at 1:42 pm 2 comentários

Atlético: torcendo contra o vento

“Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante a tempestade, o atleticano torce contra o vento”. Roberto Drummond, um dos mais ilustres torcedores do Galo e um dos que mais escreveu sobre o clube, é o autor da célebre frase.

Mas não só (como se já não bastasse). O Atlético era o assunto principal do autor de Hilda Furacão, entre outros sucessos literários, na coluna “Bola na Marca”, no jornal Estado de Minas. E assim foi de 1° de junho de 1969 a 21 de junho de 2002, quando nos deixou.

Roberto Drummond teve interrompido também seu sonho de publicar um livro sobre o Atlético. Sonho que aliás estava próximo, já que ele havia sido convidado para escrever a obra sobre o alvinegro de Minas para a coleção “Camisa 13”.

Como uma forma de fazer justiça e homenagear esse torcedor-símbolo, a Editora Leitura lançou “Uma Paixão em Preto e Branco”. Trata-se de uma compilação de crônicas de Roberto Drummond no Estado de Minas, todas sobre o Galo. O livro está presente no kit do Atlético na coleção de estreia do selo Paixão entre Linhas.

Quem teve o prazer e a responsabilidade de reunir esses textos foi Alexandre Simões, jornalista com passagens por Estado de Minas e Hoje em Dia, jornais onde cobriu Copa do Mundo, Olimpíadas e, é claro, muito futebol mineiro.

Veja entrevista com Alexandre Simões, organizador de “Uma Paixão em Preto e Branco”.

Qual a importância de lançar textos de Roberto Drummond sobre o Atlético? Qual a relevância desse autor para a torcida atleticana?

O Roberto Drummond, além de um grande torcedor do Atlético, é o criador da frase mais marcante da história do clube: “Se houver uma camisa branca e preta pendurada num varal durante a tempestade, o atleticano torce contra o vento”.

O que faz do Atlético-MG um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Galo deve ter orgulho de seu clube?

O Atlético é um clube que sempre foi carregado pela sua torcida. Desde o início da sua história uma característica é a ligação com a sua gente. E isso acontece não só nos grandes momentos, mas também nas fases mais difíceis. O maior exemplo da paixão do atleticano é o espetáculo que a torcida proporcionou quando o Galo jogou a Série B em 2006, um ano antes do seu centenário. O Atlético é movido pela paixão.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Atlético-MG.

Não há como fugir da vitória de 1 a 0 sobre o Botafogo, no Maracanã, em 19 de dezembro de 1971, que deu ao clube o título de primeiro campeão brasileiro. Este jogo é marcado na história atleticana.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

O Atlético tem uma ligação muito grande com o chamado 9. Isso começa lá na metade da décaca de 1920, com o primeiro grande ídolo da história do clube, que foi Mário de Castro, e segue com Guará, Carlyle Guimarães, Ubaldo Miranda, Nilson, Dario, Reinaldo, Valdir e Guilherme. Curiosamente, apesar de não serem o chamado centroavante típico, dois ídolos recentes jogavam com a 9  (Marques e Diego Tardelli). Mas o Galo tem grandes ídolos em todas as posições, jogadores como Kafunga, Zé do Monte, Lucas Miranda, Nívio, Oldair, João Leite, Cerezo, Luizinho, Éder, Nelinho, Taffarel e muitos outros.

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação que o surpreendeu?

A maior surpresa que eu tive foi em relação a uma crônica escrita pelo Roberto Drummond dois dias antes da final do Campeonato Brasileiro de 1977, entre Atlético e São Paulo. O Galo era favorito absoluto ao título e ele narra um sonho que teve com Cruyff, o grande craque holandês da década de 1970. E faz um paralelo do Atlético com a seleção da Holanda, que perdeu a Copa de 1974 para a Alemanha, mesmo jogando um futebol muito mais bonito. Parecia um pressentimento, pois o Galo, mesmo favorito e jogando no Mineirão, perdeu o título para o São Paulo, nos pênaltis.

Qual o episódio mais curioso da história do Atlético-MG?

São várias as passagens que merecem destaque. Mas uma delas ficou marcada para sempre, sendo cantada no hino do clube. Em 1950, o Atlético fez uma excursão à Europa e se saiu muito bem apesar de ter jogado várias partidas em campos cobertos de neve. Na volta ao Brasil, o Galo virou o Campeão do Gelo.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

O futebol é a maior manifestação cultural do Brasil. E tem uma história muito rica, desconhecida da maioria absoluta da população pela falta de tradição do país na literatura esportiva. Toda e qualquer iniciativa de se levar ao torcedor conhecimento sobre clubes, ídolos, competições, tem de ser elogiada, pois neste resgate da memória estamos reconhecendo e homenageando aqueles que ajudaram a transformar o futebol numa das principais indústrias do mundo, algo que só foi possível justamente pela paixão que o esporte exerce sobre as pessoas.

outubro 22, 2009 at 5:06 pm 2 comentários

Santos: lembranças do melhor time que o mundo já viu

Qual o melhor time que o mundo já viu? Para o jornalista Odir Cunha não há dúvida: o Santos de Pelé, equipe do final da década de 1950 e de todos os anos 60. E para quem acha que Odir é suspeito por ser um santista fanático, ele diz: “Isso não é opinião de santista, mas sim resultado de ampla pesquisa feita pela revista El Gráfico, da Argentina, com especialistas da América do Sul e da Europa”.

Odir Cunha assina “Ser Santista”, livro-memória sobre o clube da Vila Belmiro, que será lançado pelo selo Paixão entre Linhas, da Editora Leitura. A obra narra em detalhes as façanhas de um dos clubes mais vitoriosos do futebol brasileiro.

Odir é jornalista com mais de 30 anos de carreira. Passou por diversas redações de jornais e revistas e ganhou dois Prêmios Esso, principal premiação do jornalismo. É autor de diversos livros principalmente relacionados ao Santos, como Time dos Sonhos, Donos da Terra, Na Raça. Foi também biógrafo de Oscar Shmidt e atualmente edita a revista FourFourTwo, sobre futebol.

Confira abaixo entrevista com o escritor, na qual ele responde sobre o orgulho do santista, as conquistas que o marcaram, curiosidades do clube e fala ainda sobre a dobradinha entre futebol e literatura.

O que faz do Santos um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Peixe deve ter orgulho de seu clube?

O Santos teve, na década de 1960, o melhor time que o mundo já viu. Isso não é opinião de santista, mas sim resultado de ampla pesquisa feita pela revista El Gráfico, da Argentina, com especialistas da América do Sul e da Europa. O Santos foi o primeiro bicampeão mundial (1962/63), é oito vezes campeão brasileiro, o time que teve o maior jogador de todos os tempos, o que marcou mais gols na história do futebol e sua torcida é igualmente fantástica, pois é o único time que tem 14 vezes mais torcedores do que a população de sua cidade de origem. Ser santista é ser cult, é apreciar o futebol-arte, é valorizar o craque, é não acompanhar o rebanho, é ter personalidade própria.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Santos.

O Santos teve centenas de jogos inesquecíveis, mas alguns foram marcantes, como a goleada sobre o Benfica em pleno Estádio da Luz, em Lisboa, que deu ao time o seu primeiro título mundial (5 a 2, em 1962) e a vitória, de virada, sobre o Milan, no Maracanã, que provocou o jogo-desempate da decisão do título mundial de 1963 (4 a 2, depois de perder o primeiro tempo por 2 a 0).

Quais os maiores ídolos da história do clube?

A história do Santos tem dezenas de craques, mas os grandes ídolos foram Pelé, Zito, Clodoaldo, Pagão, Coutinho, Pepe, Gylmar, Mauro, Mengálvio, Dorval, Toninho Guerreiro, Edu, Lima, Rodolfo Rodrigues, Cláudio (goleiro), Joel, Ramos Delgado, Djalma Dias, Carlos Alberto Torres, Jair Rosa Pinto, Antoninho, Formiga, Hélvio, Ary Patusca, Araken Patusca, Feitiço, Arnaldo Silveira, Adolfo Millon, Walter, Serginho Chulapa, Giovanni, Juary, Pita, João Paulo, Ailton Lira, Paulinho McLaren, Guga, Urbano Caldeira, Athiè Jorge Cury, Negri, Del Vecchio, Robinho, Diego, Elano, Alex, Léo, Renato, Fábio Costa, Manoel Maria, Odair, Álvaro, Tite, Camarão, Siriri, Evangelista, Omar…

No processo de elaboração dos livros, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

Sim, que o Santos foi fundado por jogadores e dirigentes que pertenciam ao Americano, bicampeão paulista em 1912/13, time originário de Santos que depois se mudou para São Paulo. Arnaldo Silveira, que depois viria a ser capitão da Seleção Brasileira, e Sizino Patusca, primeiro presidente do clube, eram ligados ao Americano antes de fundarem o Santos.

Qual o episódio mais curioso da história do Santos?

Teve tantos, mas o mais incrível é que e o Santos é o único time que já parou uma guerra. Em 1969 a Guerra da Biafra, na Nigéria, foi interrompida para que o Santos pudesse jogar lá. Só quando o avião estava decolando é que os tiros recomeçaram. Enfim, o Santos era mesmo um emissário da paz.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

Acho fantástica, um autêntico gol de letra, pois futebol é coisa séria, está inserido na história de nosso País e de nosso povo e precisa ser tratado com o devido respeito. Todo brasileiro deveria ler e conhecer mais sobre o futebol, não só sobre o seu time. Acho que a Leitura fez um gol de placa a estou aqui aplaudindo de pé. Espero que os santistas mostrem porque são torcedores “escolhidos” e façam a sua parte, esgotando os exemplares impressos sobre o time dos sonhos.

outubro 19, 2009 at 2:45 pm 1 comentário

Vasco: Jogos inesquecíveis para cruzmaltinos apaixonados

“Meu Jogo Inesquecível – Jogos imortalizados por vascaínos apaixonados” é o livro-memória do Vasco na coleção de estreia do selo Paixão entre Linhas, da Editora Leitura. Na obra, organizada pela jornalista Patrícia Gregorio, estão reunidos depoimentos emocionantes de torcedores sobre partidas memoráveis do clube de São Januário.

De fãs ilustres, como Paulinho da Viola e Sérgio Cabral, a anônimos, o que une esses torcedores é a paixão pelo Vasco. Entre os confrontos destacados, há desde a vitória contra o poderoso inglês Arsenal em um amistoso em 1949 até o jogo em que Romário marcou seu milésimo gol, passando pelos títulos nacionais, alguns estaduais, a conquista da Libertadores, além da inesquecível virada sobre o Palmeiras na Copa Mercosul de 2000.

Confira abaixo entrevista com Patrícia Gregorio, organizadora da obra. E veja também como será a capa aberta do livro.

O que faz do Vasco um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor da equipe cruzmaltina deve ter orgulho de seu clube?

Com todo respeito aos outros clubes do Brasil, o Vasco é o que tem a mais bela história entre os clubes do país. É um clube que venceu preconceitos (O Vasco foi o primeiro clube a colocar em campo uma equipe formada por brancos e negros, como conta Mário Filho em “O Negro no Futebol Brasileiro”).

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Vasco.

O primeiro a que eu assisti: Vasco 1×1 Botafogo, em 19/2/1995. O time não era dos melhores, mas foi um dos melhores dias da minha vida. Aliás, esse é o mote do livro: vascaínos falando de seus jogos inesquecíveis.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

Dos que eu vi jogar: Roberto Dinamite, Carlos Germano e Juninho Pernambucano.

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

Sobre o clube, não. Mas, me surpreendeu um pouco as loucuras que as pessoas fazem pelo Vasco. Digo um pouco, porque eu também já fiz algumas loucuras pelo Vasco.

Qual o episódio mais curioso da história do Vasco?

Não diria curioso, mas o mais emblemático para mim: a construção do nosso estádio. Os torcedores se uniram para comprar o material e para construir o Estádio Vasco da Gama (mais conhecido como São Januário), inaugurado em 1927 e que durante alguns anos foi o maior do Brasil.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

É uma dobradinha de sucesso garantido. Há alguns anos não era muito fácil encontrar livros sobre futebol, mas acho que os autores e as editoras se renderam ao esporte mais popular do país e que tem grande influência na vida das pessoas.

outubro 15, 2009 at 5:30 pm 2 comentários

Cruzeiro: Rei de Copas

Em um tipo de competição específica, mais do que em outras, o Cruzeiro é o terror dos seus adversários. Nas copas, disputadas predominantemente em mata-matas, o clube celeste conquistou boa parte de seus títulos mais importantes e emocionantes, escrevendo “páginas heroicas imortais” de sua história.

O jornalista Alexandre Simões reuniu as histórias das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro ao longo de sua trajetória na obra “Rei de Copas”, livro-memória do time de Belo Horizonte na coleção do selo Paixão entre Linhas.

Os bastidores e detalhes das conquistas são contados pelos principais protagonistas das mesmas. Assim, há desde Tostão, que fala sobre a Taça Brasil de 1966, os Palhinhas, que narram os triunfos nas Libertadores de 1976 e 1997, até Alex, o craque da vitória na Copa do Brasil de 2003.

Nesta entrevista, o autor de “Rei de Copas” fala sobre a origem italiana do Cruzeiro, as mudanças no período da 2ª Guerra Mundial, os jogos e títulos mais emocionantes do clube e suas surpresas na elaboração do livro.

E confira abaixo a capa aberta do livro “Rei de Copas”. Vá ao nosso Flickr e veja a capa ampliada.

O que faz do Cruzeiro um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor da Raposa deve ter orgulho de seu clube?

O Cruzeiro tem história. Seus rivais têm tradição. O Palestra Itália nasceu como um clube restrito à colônia italiana de Belo Horizonte. E permaneceu assim entre 1921 e 1925. Os italianos que vieram para Belo Horizonte eram pessoas simples, operários que trabalharam na construção da cidade. A aristocracia era americana e atleticana. América e Atlético já nasceram grandes e durante as suas trajetórias receberam inúmeras ajudas governamentais. O Cruzeiro se fez sozinho e o final da história é a eleição de maior clube brasileiro do século 20 pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol (IFFHS).

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Cruzeiro.

Entre os que não vi foram os 6 a 2 sobre o Santos, de Pelé, no Mineirão, na decisão da Taça Brasil de 1966, quando o Cruzeiro quebrou a hegemonia santista na competição. Entre aqueles que presenciei foram os 3 a 0 sobre o River Plate, da Argentina, na partida de volta da final da Supercopa de 1991. Aliás, no Rei de Copas tem um relato emocionante e impressionante do Adilson sobre este jogo.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

No período de Palestra Itália foi sem dúvida Niginho. No Independência, Rossi, que inclusive era o ídolo dos garotos Dirceu Lopes e Tostão, que abrem a lista do Mineirão, que conta ainda com Raul, Palhinha, Nelinho, Joãozinho, Ronaldo, Dida, Sorín, Alex e mais um monte de gente

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

O Rei de Copas é voltado exclusivamente para a história das 11 maiores Copas conquistadas pelo Cruzeiro. Mas como citei acima, o Adilson, hoje técnico do time, garantiu que quando saiu o terceiro gol sobre o River Plate, na final da Supercopa de 1991, o gramado do Mineirão tremeu com a vibração da torcida. Anos depois, trabalhando no Japão, ele sentiu sensação parecida em terremotos.

Qual o episódio mais curioso da história do Cruzeiro?

Em 31 de agosto de 1942, um decreto federal exigiu a extinção de símbolos das nações inimigas do Brasil, entre elas a Itália. O presidente da época, Ennes Cyro Pony, marcou uma assembléia para a escolha dos novos nomes e uniformes do Palestra Itália, mas decretou que até lá o time se chamaria Ypiranga, numa homenagem à Independência do Brasil. Os conselheiros preferiram a sugestão de Oswaldo Pinto Coelho, que sugeriu Cruzeiro Esporte Clube e o azul e o branco, por causa do Cruzeiro do Sul, constelação símbolo da pátria. Após a escolha, Pony renunciou e a mudança só aconteceu, oficialmente, em 1943, quando a Federação Mineira de Futebol (FMF) aprovou o novo estatuto do clube.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

O futebol é a maior manifestação cultural do Brasil. E tem uma história muito rica, desconhecida da maioria absoluta da população pela falta de tradição do país na literatura esportiva. Toda e qualquer iniciativa de se levar ao torcedor conhecimento sobre clubes, ídolos, competições, tem de ser elogiada, pois neste resgate da memória estamos reconhecendo e homenageando aqueles que ajudaram a transformar o futebol numa das principais indústrias do mundo, algo que só foi possível justamente pela paixão que o esporte exerce sobre as pessoas.

outubro 13, 2009 at 6:21 pm Deixe um comentário

São Paulo: a moeda que não parou de cair em pé

Até os anos 1940, torcedores diziam que na disputa do Campeonato Paulista, entre Palmeiras e Corinthians, se jogasse uma moeda para o alto e desse cara, ganharia um, e se desse coroa, ganharia o outro. Para o São Paulo ganhar, a moeda teria que cair em pé.

Em 1943, a moeda caiu em pé e não parou mais. Daí pra frente, o São Paulo conquistou praticamente tudo o que disputou. Hoje é o único clube brasileiro a ter três Libertadores e três Mundiais, as duas competições mais importantes para equipes brasileiras.

Toda essa história de rápida ascensão e infinitas glórias está retratada na obra “Nascido para Vencer”, livro-memória do São Paulo no selo Paixão entre Linhas, da Editora Leitura.

O livro é de autoria de Luis Augusto Simon e Marcelo Prado. Simon, ou Menon, como é chamado, é jornalista e está atualmente no projeto de criação da Revista da ESPN Brasil.  Acumula passagens pelas redações do Agora São Paulo, Diário Popular (hoje Diário de S.Paulo), A Gazeta Esportiva e Diário Lance! Já cobriu três Copas do Mundo e escreve também sobre Política.

Marcelo Prado também é jornalista, atualmente no Globoesporte.com, e já passou por Diário Popular, Folha Online, Agora São Paulo. Escreve constantemente em sites relacionados ao clube do Morumbi.

Leia entrevista com os dois e, abaixo, confira a capa aberta do livro “Nascido para Vencer” (No Flickr é possível ampliá-la, acesse pelo barra lateral).

O que faz do São Paulo um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Tricolor deve ter orgulho de seu clube?

O São Paulo é o mais novo entre todos os grandes do Brasil. E é o mais vitorioso, com títulos nacionais e internacionais. Também é o clube com maior patrimônio.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do São Paulo.

Finais do Mundial Interclubes, contra Barcelona (92), Milan (93) e Liverpool (2005).

Quais os maiores ídolos da história do clube?

Rogério Ceni, Raí, Pedro Rocha, Roberto Dias, Lugano…

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

Sim, a excelência do time na década de 40. Uma verdadeira máquina, com contratações ousadas como as de Leônidas, Sastre e Negri.

Qual o episódio mais curioso da história do São Paulo?

Até 1940, os títulos paulistas eram divididos entre Corinthians e Palmeiras. Diziam que bastava jogar uma moeda para o alto. Se desse cara, ganharia um. Se desse coroa, ganharia outro. Para o São Paulo ganhar, a moeda teria de cair em pé. Depois do primeiro título em 43, a torcida comemorou com carros alegóricos, com uma moeda em pé.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

Acho essencial para se entender o país. E tentar explicar esse cara muito louco, chamado brasileiro.

outubro 8, 2009 at 6:32 pm Deixe um comentário

Grêmio: Não tá morto quem peleia

Toda raça do único clube chamado de “Imortal” não poderia faltar entre os livros do selo Paixão entre Linhas, da Editora Leitura.

Os irmãos Eduardo Bueno, o Peninha, e Fernando Bueno são os autores do livro-memória sobre o Tricolor Gaúcho e falam, na entrevista abaixo, sobre os maiores orgulhos do clube e de sua torcida.

Peninha é jornalista, escritor e historiador. Um dos principais entusiastas do futebol força gremista, Eduardo Bueno já escreveu livros sobre a história do próprio Grêmio, do descobrimento do Brasil e até do grupo Mamonas Assassinas. Estrelou em 2007 o quadro “É Muita História”, do Fantástico, da Rede Globo, no qual contou com bom humor episódios da história do país.

Fernando Bueno é fotógrafo desde 1972 e coleciona passagens por veículos como Zero Hora, Jornal do Brasil, O Estado de S.Paulo e O Globo. Em 1976 criou seu estúdio voltado para fotografia publicitária 1976. É hoje o fotógrafo brasileiro de mais sucesso no Getty Images, agência mundial de criação e difusão de conteúdo visual.

Além da entrevista, você pode conferir agora também as capas dos livros-memória do selo Paixão entre Linhas (logo mais todas as capas em nosso Flickr). Hoje, segue abaixo das respostas a capa aberta de “Campeão Acima de Tudo”, sobre o Grêmio – No Flickr você pode ampliá-la.

O que faz do Grêmio um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Tricolor deve ter orgulho de seu clube?

Porque o Grêmio é Imortal, campeão ACIMA de tudo, é Imortal não porque não perde, mas porque nunca desiste ou se entrega. E como se diz aqui na nossa terra: “Não tá morto quem peleia”. Acho que a pergunta deveria ser porque o Grêmio tem orgulho da sua torcida? Porque somos iguais ao clube, a mesma coisa, temos a mesma alma, não nos entregamos nunca, em qualquer campeonato, em qualquer divisão.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Grêmio.

O Grêmio tem 106 anos, tem um jogo no mínimo por ano inesquecível para sua torcida. Mas 10×0 no campeão que se diz de tudo é maravilhoso, estão marcados na paleta, nunca vão esquecer nem em mil anos.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

São tantos que vou dar só os com a letra A: Alberto ,Arlindo, Ari Hercílio, Aureo, Airton Ferreira da Silva, Alcindo, por aí vai, amanhã os com B.

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?

A certeza de “Quem nasce da rejeição nem em cem anos cura o complexo de inferioridade”.

Qual o episódio mais curioso da história do Grêmio?

Que mesmo jogando “futebol society”, com 7, somos Campeões Brasileiros da Segundona.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?

Com certeza tem muito ainda a ser explorada.

Capa Aberto do livro de Eduardo e Fernando Bueno

Capa Aberto do livro de Eduardo e Fernando Bueno

outubro 6, 2009 at 2:29 pm Deixe um comentário

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Olá, você está no blog do Paixão entre linhas, um projeto da Editora Leitura que une literatura e futebol e vai surpreender os torcedores dos principais clubes do país.

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